Morador de Jundiaí que denunciou ex-padre condenado por abuso relata medo após revelações

 

Um morador de Jundiaí que afirma ter sido vítima de estupro e cárcere privado praticados por um ex-padre condenado no Tocantins relatou viver com medo após denunciar o religioso. O caso, ocorrido em 2019, resultou no mês passado na condenação do ex-padre a oito anos de prisão pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).

Segundo o relato, a aproximação entre vítima e agressor começou por meio de um grupo no Facebook. À época, o jovem, então com 18 anos, sonhava em seguir carreira religiosa e recebeu do ex-padre a promessa de ajuda para ingressar no seminário. Após dois anos de contato virtual, o religioso afirmou que entregaria pessoalmente uma carta de recomendação, o que motivou a viagem do jovem até Palmas (TO).

Ao chegar ao local, o jovem relata que foi coagido a consumir álcool e, após perder a consciência, sofreu abusos. Nos dias seguintes, segundo ele, era impedido de sair do apartamento, obrigado a realizar atos de natureza sexual e ameaçado de morte caso recusasse.

A vítima conseguiu fugir quando o agressor deixou a chave do imóvel ao sair para trabalhar. Ele procurou a polícia e formalizou a denúncia.

Inicialmente, o caso foi arquivado por falta de provas. Porém, após insistência da vítima e atuação do Ministério Público, os depoimentos detalhados e coerentes foram considerados fundamentais para reverter a decisão. O Tribunal reconheceu que a palavra da vítima, aliada a laudos técnicos e testemunhos, comprovou o crime.

O ex-padre, já afastado das funções eclesiásticas desde 2018 e investigado por condutas semelhantes, foi condenado a seis anos de prisão por estupro de vulnerável e dois anos por cárcere privado. A Corte destacou que o réu se aproveitou da vulnerabilidade emocional, econômica e espiritual do jovem, prometendo apoio religioso para atrair a vítima.

Mesmo condenado, o réu poderá recorrer em liberdade. O pedido de indenização por danos morais foi negado porque a acusação não especificou um valor.

Atualmente morando em Jundiaí, a vítima afirma enfrentar traumas e insegurança. “Precisei de acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Cheguei a deixar o país por medo. Outras famílias me relataram que também foram ameaçadas”, disse em entrevista.

O caso segue repercutindo por envolver um religioso que usou sua antiga posição para cometer crimes e manipular aspirantes à vida missionária.

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