Caso Ana Clara: hospitais fornecem laudos e Justiça autoriza exumação do corpo

Segundo relato dos pais, Ana Clara Vitória Santana, de 4 anos, foi internada no Hospital da Unimed, em Jundiaí (SP), no dia 15 de janeiro de 2026, por volta das 7h, para a realização dos procedimentos de uvulopalatofaringoplastia, adenoamigdalectomia e amigdalectomia lingual. A criança foi encaminhada à sala de cirurgia por volta das 7h20.

De acordo com a família, o médico responsável informou previamente que se tratava de uma cirurgia simples, de baixo risco, com possibilidade de alta no mesmo dia.

Por volta das 8h25, Ana Clara foi levada à Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) e entregue aos cuidados da mãe. No entanto, a genitora percebeu que a criança apresentava sinais preocupantes, como sonolência excessiva, dificuldade respiratória, gemidos, discreto sangramento pela boca e coloração arroxeada, além de queda na saturação de oxigênio.

Diante do quadro, a mãe passou a solicitar ajuda imediata da equipe médica. Ana Clara foi retirada às pressas da SRPA e levada novamente ao centro cirúrgico, onde foi necessária nova intubação. Após a estabilização, o cirurgião e o anestesista informaram aos pais que, durante o procedimento, constataram que a traqueia da criança era mais estreita do que o habitual para sua idade e peso.

Segundo os profissionais, o tubo de intubação normalmente utilizado seria o de tamanho 5,0 ou, no mínimo, 4,5, porém apenas o tubo 4,0 pôde ser inserido. Eles relataram ainda que a cirurgia transcorreu normalmente, mas que, após o retorno da criança aos cuidados da mãe, houve insuficiência respiratória, tornando necessária uma nova intubação.

Diante da ausência de um diagnóstico conclusivo e da gravidade do quadro, a equipe médica decidiu pela transferência da paciente para uma UTI pediátrica. Como o Hospital da Unimed não dispõe desse recurso, foi solicitada a remoção para o Hospital Santa Elisa.

A transferência, entretanto, demorou a ser realizada, com a ambulância chegando apenas por volta das 12h. Praticamente no mesmo momento da chegada do veículo, Ana Clara foi extubada e novamente encaminhada, juntamente com a mãe, à SRPA. O anestesista informou aos pais que a criança havia apresentado melhora, motivo pelo qual a equipe optou pela extubação.

Ana Clara permaneceu com os pais por pouco mais de uma hora. Durante esse período, pediu água à mãe, que questionou a equipe de enfermagem sobre a liberação para ingestão. Após consulta à equipe médica, a oferta foi autorizada. A criança ingeriu apenas um gole e, em seguida, passou a apresentar chiado no peito, sudorese fria e nova queda na saturação, sendo necessária uma terceira intubação.

Nesta terceira tentativa, devido ao inchaço da traqueia, foi possível inserir apenas parcialmente um tubo de tamanho 3,5. Após a estabilização, foi solicitada novamente a transferência para a UTI do Hospital Santa Elisa, desta vez realizada com maior rapidez.

No dia 16 de janeiro, por volta das 18h, houve a substituição do tubo 3,5 por um tubo de tamanho 4,0. Os médicos informaram aos pais que Ana Clara permaneceria em observação na UTI por, no mínimo, 72 horas e que, caso apresentasse evolução favorável, o processo de extubação seria iniciado no dia 19 de janeiro.

A criança permaneceu estável até a noite do dia 18 de janeiro, quando, por volta das 19h30, voltou a apresentar queda de saturação e intenso esforço respiratório, mesmo estando intubada. A equipe médica realizou manobras de reanimação com ventilação manual (ambu). Após o procedimento, Ana Clara apresentou edema acentuado, ficando visivelmente inchada, conforme relatado pelo pai, que estava presente no momento.

De acordo com o prontuário médico, a criança evoluiu com enfisema subcutâneo importante nas regiões cervical, facial e torácica bilateralmente, além de broncoespasmo. Após a realização de uma radiografia de tórax, foi identificado pneumotórax, sendo necessária a realização de drenagem torácica para eliminação do ar acumulado.

Na madrugada do dia 19 de janeiro, por volta das 2h40, a saturação de Ana Clara voltou a cair. A equipe médica realizou novas manobras de reanimação, incluindo ventilação com pressão positiva, compressões torácicas e administração de medicamentos. Apesar dos esforços, a criança não resistiu e morreu às 4h45.

No atestado de óbito, a médica responsável apontou como causas da morte: insuficiência respiratória, hipertensão pulmonar secundária, pneumotórax, broncoespasmo, falhas de extubação e hipertrofia de amígdalas e adenoide.

Diante das múltiplas causas registradas, o pai decidiu registrar Boletim de Ocorrência e solicitar a exumação do corpo para a realização de autópsia, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias da morte da filha.

O delegado responsável instaurou inquérito policial, oficializou os hospitais, que forneceram os laudos médicos, e solicitou judicialmente a exumação. A família foi informada pela Polícia Civil, no dia 30 de janeiro de 2026, sobre a autorização judicial para a exumação do corpo de Ana Clara, que deverá ser realizada nos próximos dias.

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