Policiais militares do 1º BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) prenderam, nesta sexta-feira (13), Aline Fonseca de Castilho, de 40 anos, procurada pela Justiça por participação em um caso de tortura contra três crianças na cidade de Campinas. Após a captura, ela foi encaminhada ao Distrito Policial de Mogi Mirim, onde permaneceu à disposição da Justiça.
Aline é companheira de Marcelo Melo Dias, de 40 anos, que foi preso no dia 4 de fevereiro para cumprir pena de mais de sete anos de prisão pelo mesmo crime. Segundo as investigações, o casal submeteu os três filhos dele a uma rotina de violência física e psicológica durante pelo menos seis anos, entre outubro de 2015 e julho de 2021.
De acordo com o processo, as crianças eram frequentemente agredidas, privadas de alimentação, ameaçadas de morte e submetidas a castigos cruéis, incluindo choques elétricos. A gravidade do caso é ainda maior porque uma das vítimas é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 3 de suporte, é não verbal e incapaz de se defender.
Relatos obtidos durante as investigações apontam que essa criança sofria agressões especialmente durante o período de desfralde. Em algumas ocasiões, ao evacuar fora do local considerado adequado, teria sido castigada de forma extremamente cruel, sendo trancada em um quarto e submetida a situações degradantes.
Os outros dois irmãos também eram vítimas constantes das agressões. Segundo as denúncias, ao tentarem proteger o irmão mais novo ou impedir as violências, acabavam sendo espancados, castigados e ameaçados.
Áudios e vídeos anexados à denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) reforçam que as crianças viviam uma rotina de extremo sofrimento. As investigações também apontam que Marcelo planejava as agressões de forma a evitar marcas visíveis em períodos próximos às visitas da mãe biológica.
O cenário de violência teria começado após a mãe das crianças sofrer um grave acidente de trânsito e precisar ser internada. Segundo a apuração, após a alta hospitalar, Marcelo se recusou a devolver os filhos.
Nas redes sociais, Aline chegou a se apresentar como “mãe exemplar de uma criança autista”, publicando imagens que simulavam uma rotina familiar feliz. As investigações indicam ainda que as crianças eram obrigadas a chamá-la de mãe, sob ameaças.
O caso teve grande repercussão pela brutalidade dos crimes. Com a prisão realizada pelo 1º BAEP nesta sexta-feira, tanto Aline quanto Marcelo agora estão detidos e à disposição da Justiça.


