A decisão do vice-prefeito Ricardo Benassi de não disputar as eleições de 2026 encerra, ao menos por enquanto, uma sequência de movimentações políticas que vinham gerando ruídos nos bastidores de Jundiaí.
Eleito ao lado de Gustavo Martinelli, Benassi chegou ao governo com a missão de contribuir para a condução política e administrativa da gestão. No entanto, logo nos primeiros meses, passou a se movimentar em torno de um projeto eleitoral próprio, o que foi interpretado por aliados como um gesto precipitado e pouco alinhado à estabilidade do grupo que ajudou a eleger.
A trajetória partidária recente também reforçou a imagem de indefinição. Com passagens por diferentes siglas, como PSDB, PPS, Cidadania, Novo e, mais recentemente, PSD, Benassi tentou se reposicionar no tabuleiro eleitoral, mas acabou acumulando dúvidas sobre seu rumo político. A filiação ao PSD foi apresentada como uma oportunidade de construção para 2026, porém a tentativa de viabilizar uma candidatura a deputado acabou abrindo novos atritos.
A movimentação gerou desconforto, enfraqueceu pontes políticas e expôs a dificuldade de Benassi em consolidar apoios reais para sustentar seu projeto eleitoral. Para aliados, o vice-prefeito se afastou cedo demais do papel institucional que lhe cabia e priorizou movimentos pessoais antes de construir uma atuação efetiva ao lado do prefeito.
Outro ponto sensível é sua ligação histórica com o setor da construção civil. Embora não exista acusação formal sobre o tema, adversários políticos apontam que essa relação pode alimentar dúvidas sobre os interesses que orientam sua atuação pública.
Com o recuo, fica a pergunta: Benassi desistiu por estratégia ou porque perdeu as condições políticas de sustentar a própria candidatura?
Mais do que uma candidatura que não saiu do papel, o episódio revela uma crise de imagem. Benassi tentou se reposicionar como liderança regional, mas termina esse ciclo sob a marca de quem se movimentou demais, articulou mal, rompeu expectativas e recuou antes mesmo de chegar à disputa.


