Operação contra fraude fiscal cumpre mandados em Campinas e bloqueia R$ 271 milhões

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, e a Receita Federal deflagraram nesta quarta-feira (4) duas operações simultâneas para combater organizações criminosas suspeitas de envolvimento em sonegação de impostos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

As ações, batizadas de Operação Enxágue e Operação Catéter, cumpriram 64 mandados de busca e apreensão em 28 municípios de quatro estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No estado de São Paulo, houve cumprimento de mandados nas cidades de São Paulo, Campinas, Barretos e Rancharia.

Em Campinas, o 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (1º BAEP) apoiou o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no condomínio de alto padrão Alphaville, localizado na Rodovia SP-340, quilômetro 17. A operação contou com duas viaturas, sete policiais militares e um cão policial. Segundo a corporação, não houve apreensões no local.

Segundo as investigações, os grupos utilizavam empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, registradas em nome de laranjas, para emitir notas fiscais falsas, gerar créditos tributários fictícios e movimentar dinheiro de origem ilícita.

O esquema estaria relacionado ao comércio de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, utilizados por indústrias de biodiesel e curtumes.

As investigações apontam que empresas reais vendiam mercadorias sem a emissão correta de notas fiscais ou utilizavam documentos emitidos por empresas de fachada. Dessa forma, indústrias adquirentes conseguiam aproveitar créditos de ICMS que não eram efetivamente recolhidos.

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, direitos e valores que somam R$ 271,4 milhões. As medidas atingem contas bancárias, imóveis, veículos, participações societárias e fundos de investimento.

Somente na Operação Catéter, foram sequestrados mais de 30 imóveis, 79 veículos e uma embarcação motonáutica.

De acordo com o Ministério Público, as duas investigações identificaram estruturas financeiras utilizadas para dar aparência de legalidade aos recursos e ocultar o patrimônio dos envolvidos.

As operações também contaram com o apoio de equipes do Gaeco de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de auditores da Receita Federal.

As investigações seguem em andamento.

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