Quadrilha presa pela ROMU usava redes sociais para escolher casas que seriam furtadas em Jundiaí e região

Uma ação rápida das equipes da ROMO e da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU), em Jundiaí, impediu uma tentativa de furto a uma residência no bairro Parque da Represa, nesta quarta-feira. Três indivíduos foram detidos em flagrante dentro de um veículo, e o caso revelou um detalhe que chamou a atenção dos agentes: segundo o relato de um dos suspeitos, o grupo teria saído da capital paulista com uma lista de endereços de residências que pretendia furtar em Jundiaí e região.

Durante patrulhamento pelo Parque da Represa, os agentes cruzaram com um Chevrolet Corsa preto, com os vidros totalmente escurecidos. Ao perceber a aproximação da equipe, o motorista teria mudado bruscamente de direção, atitude que levantou suspeitas.

Os guardas acompanharam o veículo e realizaram a abordagem. No interior estavam três indivíduos, sendo um motorista e dois passageiros. Um detalhe chamou a atenção: os dois passageiros teriam desembarcado do banco traseiro, sem que houvesse alguém no banco dianteiro do lado do passageiro, o que levantou a suspeita de que eles teriam entrado no carro às pressas.

Questionados sobre o motivo de estarem no bairro, os três apresentaram versões diferentes. Um disse que estava no local para passear, enquanto outro afirmou que trabalhava como vidraceiro e teria ido fazer um orçamento.

Os suspeitos eram moradores da capital paulista. Durante a consulta criminal, os agentes constataram que um dos envolvidos, de 17 anos, já possuía quatro passagens policiais por furto a residência. Outro, maior de idade, tinha cinco registros pelo mesmo tipo de crime, incluindo uma ocorrência de dezembro do ano passado, pela qual ainda responde. O motorista e proprietário do veículo não tinha antecedentes criminais, segundo as informações da ocorrência.

A abordagem ganhou novos desdobramentos após um morador, que preferiu não se identificar por segurança, informar aos agentes que os indivíduos haviam sido vistos em frente a uma residência nas proximidades.

Outra equipe foi até o endereço e encontrou sinais de possível tentativa de arrombamento no portão. Naquele momento, o proprietário chegou ao imóvel e confirmou que havia indícios de que alguém tentou forçar a entrada.

Imagens das câmeras de segurança foram verificadas e, segundo o relato da ocorrência, permitiram identificar os mesmos indivíduos abordados pelas equipes.

Os agentes também localizaram no interior do veículo duas ferramentas que, conforme a apuração inicial, teriam sido utilizadas na tentativa de arrombamento.

Diante dos indícios, os três receberam voz de prisão e foram encaminhados, junto com o carro, à Central de Flagrantes de Jundiaí.

Suspeito teria oferecido dinheiro para ser liberado

Já na Central de Flagrantes, um dos suspeitos maiores de idade teria chamado os agentes para conversar e oferecido uma quantia em dinheiro para que o grupo fosse liberado sem que o caso fosse comunicado à autoridade policial.

O valor não chegou a ser especificado. A proposta foi recusada pelos agentes, que informaram que a conduta também seria apresentada à Polícia Civil para apuração de possível corrupção ativa.

Grupo teria uma lista de casas para furtar na região

O ponto que mais chamou a atenção durante a ocorrência foi o relato de um dos suspeitos sobre a existência de uma lista de possíveis alvos.

Segundo as informações repassadas pelos agentes, um dos indivíduos teria afirmado que o grupo saiu de São Paulo com uma relação de endereços de residências que pretendia furtar naquele dia. A lista incluiria nomes de familiares ligados aos imóveis e placas de veículos.

Ainda conforme o relato, a casa no Parque da Represa seria apenas o primeiro endereço da sequência. Outros imóveis em Jundiaí e cidades da região também estariam na mira do grupo.

Os suspeitos teriam dito que levantavam informações por meio de publicações nas redes sociais. Fotos e vídeos de churrascos, reuniões familiares e outros momentos dentro das residências poderiam ajudar a identificar possíveis alvos e obter pistas sobre a localização dos imóveis.

A forma como essas informações eram reunidas, assim como a possível existência de uma lista de endereços nos celulares dos envolvidos, será investigada pela Polícia Civil.

Os aparelhos foram apreendidos e poderão passar por análise para verificar se contêm dados relacionados aos possíveis alvos e a outros crimes.

Conselho Tutelar acompanhou o caso

Como um dos envolvidos tem 17 anos, o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar os procedimentos envolvendo o adolescente. Segundo o relato da ocorrência, os familiares dele não compareceram à Central de Flagrantes.

A investigação deverá esclarecer a extensão da atuação do grupo, a origem da lista de endereços e se outros imóveis da região chegaram a ser alvo de tentativas de invasão.

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