Quebra de fidelidade no PL coloca vereadora em rota parecida com a de Joice Hasselmann

A política de Jundiaí foi movimentada por uma decisão que colocou uma vereadora do Partido Liberal (PL) em situação delicada dentro da própria legenda. Após anunciar a retirada de sua pré-candidatura a deputada estadual, a parlamentar declarou apoio público a uma candidata de outro partido, contrariando resolução interna da sigla.

A atitude vai de encontro à Resolução Administrativa nº 010/2025, da Comissão Executiva Nacional do PL, que estabelece regras rígidas de fidelidade partidária. O documento proíbe expressamente que detentores de mandato eletivo manifestem apoio a candidatos de outras legendas, prevendo sanções que variam do corte de recursos partidários até a expulsão.

Nos bastidores da Câmara Municipal, o episódio gerou repercussão e críticas, sobretudo pelo contraste com posicionamentos anteriores da própria vereadora. Em ocasiões recentes, ela havia defendido publicamente punições severas a colegas de partido que desobedeceram orientações da bancada durante a eleição para a presidência do Legislativo municipal, cobrando fidelidade absoluta às normas internas.

Procurado pelo nosso portal, o coordenador regional do PL, Adilson Rosa, se manifestou sobre o caso. Segundo ele, “a vereadora Quezia sempre atuou em defesa dos ideais do partido e atuou fazendo oposição firme e coerente em relação ao Executivo Municipal. Entendo a decisão da desistência da pré-candidatura, mesmo que sem aviso prévio à executiva do partido. Isso é um direito dela e será respeitado”.

Ainda de acordo com Adilson Rosa, eventuais questionamentos sobre punições não estão sob sua alçada. “Sobre questionamentos em relação à expulsão ou sanções, não cabe a mim. O PL tem uma resolução nacional para os candidatos eleitos e seus apoiamentos para as eleições de 2026, e as medidas cabíveis, através dessa resolução, competem à executiva estadual e nacional”, completou.

Com a oficialização do apoio externo, a situação abre margem para que o diretório nacional do PL intervenha no caso. O descumprimento das diretrizes partidárias pode resultar em processo disciplinar, conforme previsto no Código de Ética da legenda, incluindo a perda de direitos partidários e até a expulsão.

O futuro político da vereadora dentro do PL passa agora a ser tratado como incerto, enquanto a direção do partido avalia os próximos passos diante da quebra de fidelidade estabelecida em resolução nacional.

Caso a expulsão seja confirmada, a vereadora pode seguir trajetória semelhante à da ex-deputada Joice Hasselmann, que chegou a ocupar posição de destaque na direita brasileira, mas acabou rompendo com seu grupo político de origem e perdendo apoio do eleitorado conservador.

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