“Moto de trabalhador”: por que motocicletas de baixa cilindrada viraram alvo da criminalidade na região de Jundiaí?

Nos últimos anos, as motocicletas se tornaram uma ferramenta praticamente indispensável no dia a dia de muitos trabalhadores e estudantes.

Seja para quem utiliza a moto para fazer entregas e garantir uma renda, seja para quem depende dela para ir ao trabalho ou à faculdade e evitar o transporte público, o veículo de duas rodas passou a fazer parte da rotina de milhares de pessoas.

Na maioria dos casos, esses trabalhadores optam por motocicletas de baixa cilindrada, como modelos de 110, 125, 150 e 160 cilindradas. São motos utilizadas diariamente para trabalhar, estudar e se locomover pela cidade.

Mas nem tudo é um “mar de rosas”. Essas motocicletas também passaram a chamar a atenção da criminalidade.

Somente neste mês de setembro, nossa equipe de reportagem divulgou mais de 10 ocorrências envolvendo roubos ou furtos de motocicletas na região de Jundiaí. Em mais de 90% dos casos divulgados, as vítimas estavam com motos de baixa cilindrada. Algumas delas foram recuperadas pelas forças de segurança.

Mas fica a pergunta: o que leva criminosos a roubarem ou furtarem justamente as motocicletas utilizadas por trabalhadores?

Um dos fatores está relacionado ao mercado ilegal de peças, já que motos de modelos populares possuem grande circulação e suas peças podem ser revendidas ilegalmente.

Outro ponto frequentemente discutido é a reincidência criminal. Em casos nos quais suspeitos são presos, o desfecho do processo depende das circunstâncias e das decisões judiciais, e a eventual soltura após uma prisão pode ser percebida pela população como sensação de impunidade.

Há ainda uma situação que chama atenção e que vem sendo relatada em ocorrências e nas redes sociais: o uso de motocicletas furtadas ou roubadas para exibição em bailes e posteriormente em redes sociais.

Para o criminoso, pode parecer apenas mais uma forma de ostentação. Para o trabalhador, porém, significa muito mais.

É a moto que muitas vezes foi financiada em dezenas de parcelas, usada diariamente para trabalhar e levar o sustento para casa. Quando o veículo é levado, a vítima fica sem sua principal ferramenta de trabalho e, em muitos casos, continua pagando as parcelas mesmo sem poder utilizar a motocicleta.

No fim das contas, uma moto roubada ou furtada pode representar muito mais do que um veículo levado da rua: pode significar dias, meses ou até anos de trabalho prejudicados.

E quem acaba pagando essa conta, muitas vezes, é justamente o trabalhador que comprou sua moto para ganhar a vida.

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